A Menina do Chuveiro está...

A Menina do Chuveiro informa...

Que aos poucos isto acorda :)
[20h35 - 04.11.2010]

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sábado, 27 de novembro de 2010

Banho em Contra-Relógio

Hora e Dia do Duche: 12h48; 27.11.2010
Duração: 00h07m

É isto que dá vida às manhãs de Sábado.

Acordar com o estômago a implorar por comida.
Levantar-me e meter o peixe no forno em vez de tomar o pequeno almoço.
Meter o temporizador a contar.

E estende-se a roupa, arruma-se roupa, faz-se isto e aquilo. Não interessa.

Interessa que eu quando quis tomar banho olhei para o temporizador.
E quanto tempo me restava? 12 minutos e 20 segundos.

E fui a correr para a casa de banho, enfiei-me dentro da banheira, ia caindo dentro da banheira, mas... CONSEGUI! E ainda tive direito a tempo para lavar os dentes. E vestir-me e coisas assim.

Vêm vêm como eu também consigo ser rápida?!

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Porque quando não se merece é o que mais falta faz

Hora e Dia do Duche: Mensagem de Fora da Casa de Banho

Escrevi para ele.

Ele que disse que não merecia.
Ele que disse que errou comigo.
Ele que deu um pouco mais de chuva ao meu fim de semana.

Ele que TODOS os dias me faz sorrir.
Ele que TODOS os dias me dá força.
Ele que TODOS os dias me sabe dar amor como ninguém.

Não me motivaram os erros dele. Motivou-me a necessidade.

Porque é quando erramos que ficamos mais frágeis.
E é nessas alturas que precisamos de força.

Não a tive para mim, mas para ele tenho sempre.

sábado, 30 de outubro de 2010

Mc Laços Familiares

Hora e Dia do Duche: 14h08; 30.10.2010
Duração: 00h13m

Eu a minha irmã - a do meio, a quem tem quase a mesma idade que eu - passamos a vida a tentar provar que somos DIFERENTES!

E a minha irmã obriga-me a engulir o orgulho e dizer que não, que até somos parecidas.
Involuntariamente a miúda dá cabo da nossa guerra.

Nunca devia ter começado a trabalhar. Nunca.

Ela.
Não eu. Eu fui a primeira.

Mas pronto.
Porque é que ela é tão parecida comigo?

Eu trabalhei num call center. E não gostei.
Ela também.

Ela está a tirar um curso de cabeleireira.
Eu tenho um vicio incontrolável de cortar o cabelo.

Ela trabalhou um dia num restaurante argentino.
Eu tenho o sonho de almoçar um dia num restaurante argentino, mas mesmo na Argentina.

E principalmente...
A soma dos restaurantes Mc Donald's por onde nós as dias passamos é igual a... seis!
Três em plena Lisboa, dois na linha de Sintra e um na Beira Interior.

E para beleza dos nossos encantos, neste momento envergamos as duas a bela da farda verde e castanha. Uma de cada lado do país.

Ah! E o nosso sorriso também é igual.
Dizem.

Não sei.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

E a Rotatividade dos Ponteiros

Hora e Dia do Duche: 09h23; 28.10.2010
Duração: 00h19m

Não sei quantas voltas se deram no relógio.

Ouvi gritar e gritei.

Mal dormi.

Andei quilómetros e quilómetros pelos mesmos passeios, de mão dada a pessoas que não conhecia de lado nenhum.
Antes de saber as histórias delas, descobri o toque da sua mão.

Vi gente rir e vi gente chorar.
Vi gente a gozar consigo própria e gente a rir dos outros.

Vi gente a esforçar-se.
Vi esforços cumpridos e gente que desistiu a meio.

Vi gente suja e a cheirar mal, sujei-me e cheirei mal com eles.
E rimo-nos. Rimo-nos tanto.

Sorrimos para as velhotas que passavam por nós e soltavam um "Ai, cheiram tão mal!".

Trabalhamos para um carro que se partiu a meio do caminho.
Carregamos o carro pelas nossas mãos, até ao fim.

E gritamos, cantamos, fizemos barulho, vivemos.

E a quem diga que a tradição da praxe devia conhecer o seu fim, eu dou os meus pêsames.

Pois na praxe está a mesma beleza poética da vida.

A de quem sofre, mas retira tudo o que há de bom que há para tirar dela.
A de quem, no fim e ainda com mazelas no corpo, esquece os tempos duros e ergue o copo de carrascão em honra do que vai apelidar como o melhor tempo da sua vida.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Crossroads

Hora e Dia do Duche: 11h08; 27.09.2010
Duração: 00h08m

Eu sei que Crossroads é o nome de um filme menos que medíocre.

Mas eu não vim falar de filmes.

Sou fascinada por coincidências.
Por aquele tipo de coincidências que ditam um caminho importante na vida.
Por aquele tipo de coincidências que se recebem com um sorriso, a que não se dá importância e que depois nos fazem mudar de rumo.

A minha história é toda ela feita de coincidências.

De pequenas frases.
Daquelas que parecem insignificantes.
Daquelas que sem querer acabam por nos contar a história de um futuro.

De pequenos encontros.
Daqueles que se dão por coisa nenhuma.
Daqueles que se vão repetindo sem serem marcados e que nos trazem a presença de alguém que se torna imprescindível.

A minha vida é feita de coincidências.
De encontros e desencontros.
De aventuras e desventuras.

E de um único amor nascido de uma história de coincidências.

E às vezes, por coincidência, da mesma maneira que duas pessoas se aproximam, duas pessoas afastam-se e seguem caminhos diferentes.

E é daí que se distinguem coincidências de um destino traçado.

Quando a coincidência dita a distância, o destino bate o pé e diz que não.
Que eu e tu somos destinados.
Que tu e eu não podemos ficar separados.

E se a chuva cai e ameaça apagar o fogo, o homem assustado tem de atear a fogueira antes que ela se apague.

Tive medo desta tempestade.
Agora vem e vamos secar-nos. Cuidar um do outro, como sempre o fizemos.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Qual a influência do ar dos Himalaias na produção de testosterona nos caracóis?

Hora e Dia do Duche: 12h12; 14.09.2010
Duração: 00h17m

E foi o que resultou da mini-praxe onde me apanharam ontem.

"Faça uma [qualquer coisa começada por r que não é redacção e que é sinónimo de composição e vou de seguida pesquisar] de duas folhas sobre o tema do titulo."

Como boa caloira que sou, não vou ignorar.

Não quero nada ficar marcada. Mas uma provocação no papel não era coisa muito feia.

Correria Matinal

Hora e Dia do Duche: 07h37; 13.09.2010
Duração: 00h04m

[Asneira feia começada por F e gritada a plenos pulmões]

Deixei-me adormecer!
Corre, já deve estar cheio!

Esfrega mais rápido, despacha-te!

Vai! Rápido!

- E isto é o que se pensa quando se adormece no dia de matriculas e se acorda uma hora depois do previsto. Não há tempo para pensar em mais nada.

domingo, 12 de setembro de 2010

E Quando Não É A Primeira Vez

Hora e Dia do Duche: 08h01; 12.09.2010
Duração: 00h11m

Fazem-se as coisas com mais cabeça e menos ilusão.

Na altura da minha primeira candidatura eu não sabia o que queria.
Sabia onde queria ficar. Em Lisboa. Em casa.

Escolhi as opções no último dia de candidatura com um-dó-li-tá.
Fui colocada em 2ª opção.
Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Biologia.

Detestei. Desisti. Tirei um ano para pensar.

Não quis fazer mudança de curso.
Quis fazer tudo de novo.
Escolhi o curso.

Candidatura nacional pelo contingente geral.
Repeti o meu exame de 12º ano de português na tentativa de aumentar a média de candidatura.
Consegui.

E candidatei-me mal tive a ficha ENES na mão.

Não pensei em casa. Nem em Lisboa.

Aliás. Pensei. Mas com a minha média era impossível.

Pensei onde podia chegar, onde podia entrar. Onde tinha uma garantia.

Tive três cidades em mão. E uma quarta como fuga, com um curso semelhante.
Todas longe de casa.

Fiz a minha escolha.
E arrisquei, na certeza de que ia ser colocada.

Mudei-me antes de saírem as colocações.
Empreguei-me antes de saírem as colocações.

E saíram as colocações.
Não tinha a ansiedade que tive da primeira vez, talvez por ser tanta a certeza.

Mas mesmo assim não quis ser eu a ver.
E ele, ao aperceber-se da minha hesitação, ofereceu-se para ser ele a ver.
Primeiro. Antes de mim.

Recebi a confirmação de que o meu risco valeu a pena numa mensagem de msn.

A ansiedade assaltou-me esta noite.

[E tudo isto porque não resisti a dar uma olhada a candidaturas alheias.
Uma rapariga, colocada no mesmo curso que eu, foi colocada em quarta opção.
A segunda e a terceira opções dela eram biologia. O curso onde estive e desisti.
Não consigo deixar de pensar que ela teve sorte.
E de me identificar com ela. Porque biologia não tem nada a ver com o curso onde estamos.
Ela não sabe ainda o que quer da vida. Como eu não sabia na minha primeira vez.]

O Meu Mal Veio Em Meu Socorro

Hora e Dia do Duche: 14h42; 11.09.2010
Duração: 00h09m

O que é mesmo mesmo mesmo mesmo giro é estar no quarto, prestes a levantar-me para ir tomar banho e ouvir a porta de casa a abrir-se.

A senhoria a falar, a mostrar o quarto vago, a dizer que não estou em casa e eu a pensar que ela era uma mentirosa do pior por não me ter avisado e dizer aos visitantes que avisou.

E depois eles saírem, a Menina pegar no telemovel e ver a mensagem a que não respondeu.

Quem é boa quem é?
Eu.

Porque se não me tivesse dado a preguiça, ia ser apanhada no meu duche de ideias.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

The Writtings On The Wall

Hora e Dia do Duche: 15h36; 06.09.2010
Duração: 00h21m

Gosto de seres humanos. Gente de carne e osso.

Gente que pensa, mas também sente.

Gente que diz, mas que se contradiz.

Gosto de gente com defeitos e com suficiente humildade para os admitir. E gosto de gente que apesar disso vê as suas qualidades e não se faz de coitadinha.

Gosto de gente que luta. Gosto de gente com objectivos.

Não precisa de ser um objectivo muito grande ou muito nobre.
Não precisa de ser um vou-ajudar-montes-de-criancinhas ou um vou-ser-mais-rica-que-o-Bill-Gates ou um vou-ganhar-um-Nobel-da-Literatura.

Gosto de simplesmente de gente que tem porque lutar e que realmente luta.

Eu nunca soube o que queria ser quando fosse grande.
Mas sempre soube que quero uma casa com uma parede branca onde possa escrever a negro e vermelho o meu amor.

Não quero ser designer, mas quero a minha parede branca, com a minha caligrafia e escritos da minha autoria. E vou fazer por poder tê-la.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Eh Lagarto!

Hora e Dia do Duche: Mensagem de Fora da Casa de Banho

Eu hoje vi uma lagartixa no meu quarto.

Só daí adveio um misto de sentimentos que mostra logo a confusão que eu sou.

Não queria matar o bicho. Não queria o bicho no meu quarto.
Queria atira-lo pela janela fora.

Mas eu?!! Tocar naquilo?! E se me dá alergias?!!
[E fique claro que qualquer bicho com formato semelhante aquele me faz lembrar osgas e eu tenho um pavor irracional a osgas e não toco em repteis assim, ponto final. Só gosto de iguanas.]

Ainda tentei ir pegar na bicha com um papel. Mas a estúpida não queria subir.

Plano B.
Vou mete-la fora de casa.

E como é que eu a apanhei, como?

Tupperware para cima dela, toma não sais mais daí!

E lá fui a arrastar a lagartixa na caixinha em direcção à porta de casa.

Mas a meio caminho levantei um bocadinho do tupperware e ficou-se da parte de fora um bocado do rabo do bicho.

E eu em pânico a ver aquilo a mexer-se durante dois minutos com a lagartixa já a um metro do seu pedaço de cauda.

E mexia-se! E não parava! E se aquilo me ataca?!

Finalmente lá perdeu a vida o rabo da bicha e eu continuei a encaminha-la em direcção à rua. Atirei-a pelas escadas abaixo.

E adivinhem lá quem é que me veio cumprimentar mais tarde quando abri a porta do prédio, de regresso a casa?

Muito querida a lagartixa sem meio rabo. Poupo-lhe a vida, dá-me as boas vindas.

Aprendam seres humanos, aprendam!

Mal sabe a pobre coitada que só não a meti na rua porque a tempestade lá fora está feia.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Almofada, Chão!

Hora e Dia do Duche: 17h48; 30.08.2010
Duração: 00h19m

Há noites que são simplesmente para esquecer.

Duas horas para adormecer. Durmo uma hora, acordo. - São três da manhã.

Mais uma hora para adormecer. Durmo uma hora, acordo. Viro-me. - São cinco da manhã.

Mais meia hora sem adormecer. Atiro a almofada ao chão. Viro-me. Meia hora e adormeço. Durmo duas horas, acordo. - São oito da manhã.

Levanto-me. Bebo um copo de leite, como uma sandes mista, lavo os dentes, arrumo a loiça, mando mensagem ao R. Tenho sono. Vou para a cama. Adormeço. - São nove da manhã.

Tenho um sonho, que garanto ser a continuação de outro que já tinha tido, mas não me lembrava. Vejo-me envolta no meu subconsciente que decidiu fazer da minha vida uma série de acção, comigo como actriz secundária. Julgo que se passaram horas. Toca a campainha, levanto-me irritada, é um homem da EDP. Respondo ao R. Volto para a cama. - São dez da manhã.

Durmo e durmo e durmo e durmo e durmo e durmo e acordo com fome. - São cinco da tarde.

Vou fazer almoço, aparece-me aqui a senhoria com uma família para mostrar o quarto vago, apanham-me a almoçar fora de horas. Eles vão-se, eu acabo de comer e vou para o banho.

Penso "Estúpida almofada, devia ter-te atirado antes ao chão. Tenho sono.".
E esfrego o ombro. Tenho demasiado sono para pensar noutra coisa sequer.

E está ali do lado direito uma coisa a acabar. Quem não votou, faça um clique sff.

domingo, 29 de agosto de 2010

E É Por Isto Que Eu Nunca Vou Ficar Muito Tempo Sem Trabalho

Hora e Dia do Duche: 17h32; 29.08.2010
Duração: 00h12m

Porque aos 17 anos eu comecei a trabalhar. Aperfeiçoei a técnica de vender Big Mac's.

Aos 17 e meio, com a técnica de venda perfeitinha, aprendi a fazer os ditos cujos Big Mac's.

Aos 18 anos fui proposta a promoção e passei a aprendiz de treinadora.

Aos 18 e meio fui ao curso de treinadora, onde passei um dia tórrido de sol e com a praia do outro lado da estrada enfiada numa sala de reuniões a ouvir falar sobre limpeza e higienização e datas de validade e técnicas de ensino e coisas afins. A desesperar por ir dar um mergulho. E ganhei um diploma pelo sacrifício.

Aos 19 anos aprendi a fazer qualquer coisinha de gestão, embora me mantivesse como treinadora.

Aos 19 e meio saí porque faltei, em conjunto com metade dos funcionários do turno (éramos 13, faltámos 8 - e faltei eu e mais os outros dois que ficavam a partir das 23h), para ir ver o Benfica-Porto e meteram-me a refeição a 2€ como castigo.

O meu amor ao Benfica é grande.
Mas o grande problema de ir trabalhar naquela noite é que, quando o Benfica ganha (principalmente ao Porto) sai-se à uma da manhã em vez de se sair à meia-noite e um quarto. E com a gerente de turno que lá estava, ao Domingo (que era o caso) sai-se no mínimo meia hora mais tarde. Feitas as contas, eu ia chegar a casa às duas da manhã e não me compensava. Saí, pronto.

Aos 19 e 3/4 entrei num novo restaurante, por intermédio do diploma, com muito mais movimento. Passei por mais uns quantos restaurantes de Lisboa por empréstimo diário, semanal e até mensal.

Aos 20 saí de novo porque fugi de Lisboa. E aos 20 novamente vou entrar na cidade nova.

Ninguém disse que eu tenho um emprego decente garantido, mas ao menos sei que há uma farda que me vai acolher sempre. Seja em que ponto do mundo for.

Ainda por cima uma farda que garante que mal eu chegue a casa me vá reconciliar com o chuveiro, o que garante a permanência deste cantinho por muitos e longos tempos.

sábado, 28 de agosto de 2010

Processos Reflectivos Acerca Da Psicologia - Parte II

Hora e Dia do Duche: Mensagem de Fora da Casa de Banho

Ou "As Fracas, Muito Fraquinhas Consequências Do Incidente Da Cadeira E Do Vidro Em Cacos" - para consultar informações acerca do incidente, clique aqui.

Quarta-Feira, onze e meia da manhã.
A Menina está extremamente chateada por perder uma das duas horas de almoço para ir ter de aturar uma psicologa.

Devia estar agradecida por só ter de ir à psicóloga.
A verdade é que há discriminação nas escolas e eu não fui julgada como os "meninos burros".
Não fui suspensa, como os outros todos, não tive de fazer trabalhos, nada. Tive somente de ir à psicóloga.

E muito mal agradecida pela benesse, bati à porta.
A psicóloga que me abriu a porta era uma moça nova, normalíssima. Tão, mas tão normal que a única coisa que me lembro dela é que tinha cabelo castanho e era magra.

Desejou-me os bons dias, mandou-me sentar, disse-me que naquele dia só ia falar comigo.
Eu só disse "Ok." quando na realidade estava a roer-me por dentro para não disparar um "Mas o que é que eu tenho para falar contigo? Quero ir para casa oh!".

Mas pronto, lá fiquei, sentada e resignada a responder a um monte de perguntas que não me dizia coisa nenhuma, durante uma hora, até que ela me dispensou.

Voltei a lá ir. Ia todas as Quarta-Feiras à mesma hora. Deixou de me aborrecer tanto lá ir.
Ia para lá fazer uma carrada de testes lógicos que só mais tarde me apercebi fazerem parte de um teste de Q.I.
Eu achava aquilo divertido, era um passatempo, era mais interessante que as aulas e puxava mais por mim.

Até que um dia a psicóloga me disse "Não tens de vir mais. Eu vou falar com a tua mãe e com a tua D.T. para cá virem falar comigo um dia destes."

Eu não voltei e elas foram lá.
E no dia em que a minha mãe foi lá, quando chegou a casa disse-me duas coisas:

"Mas que raios é que eu te fiz de mal, para eu ser a motivação para toda a porcaria que tu fazes de mal?"

E passado um bocado quando estava mais calma, veio ter comigo toda aflita.

"Oh filha, toma cuidado. Tens noção que os maiores criminosos são todos muito inteligentes? Vê lá o que fazes, filha."

E eu fiquei ali, impávida e serena, com cara de parva a olhar para ela.
Que mais é que ela queria que eu lhe dissesse?

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Desabafo Idiota

Hora e Dia da Mensagem: Mensagem de Fora do Duche

É incrível quando temos uma mãe que nos liga mais quando estamos online no facebook do que quando estamos ao lado dela.

Processos Reflectivos Acerca Da Psicologia - Parte I

Hora e Dia do Duche: Mensagem de Fora da Casa de Banho

Ou "Titulo Extremamente Pomposo Para Post Inspirado Pela Mary Jane E Mais Uma Estória De Vida".

Eu com 12 anos de idade era uma moça extremamente rebelde. Ou revoltada.
Caracterizaram-me com os dois objectivos e eu não gostava de nenhum deles.

Também era uma moça que diziam ser bastante inteligente. Também não achei piada a esse exercício de adjectivação.

Acima de tudo, eu era uma rapariguinha na idade do armário, que começava a revelar alguns aspectos da sua personalidade - mais, mas não totalmente - adulta.
Não gostava de dar satisfações a ninguém, fazia o que bem quisesse e me apetecesse, tinha uma noção de certo e errado diferente do convencional - coisa que permanece inalterada.

E estava no meu 6º ano de escolaridade. Mesma turma, mesma directora de turma.
Tinha sido uma menina bonita no ano anterior, daí ter sido eleita delegada de turma. O cargo durou 3 semanas.

Eu achava aquele 6º ano demasiado fácil e enfadonho, pelo que achei que era bem mais divertido passar os 90 minutos das aulas na brincadeira e a fazer disparates. E a forçar idas para a rua, que mesmo com chuva, os dias eram mais bonitos lá fora.

Eu devia parecer um caso clínico para a minha D.T.
Numa só face conseguia ser a cara e a coroa - a melhor aluna a nível de resultados, a pior a nível de comportamento. Com uma agravante. Levava toda a gente atrás de mim.

Até que um dia decidi partir a loiça toda. Ou melhor, a janela da sala de aula. Ao pontapé.
Tudo porque era uma aula de teste, as únicas em que eu tinha algum interesse em permanecer sentadinha no meu cantinho.

Infelizmente, o teste era só nos últimos 45 minutos. O que quer dizer que me aborreci nos primeiros 45.

E um colega meu decidiu vir meter-se comigo. Não gostei da brincadeira, retaliei.

Ele, que era uns bons 20cm mais alto que eu, tentou bater-me.
Eu, que não sou de me ficar, peguei na cadeira e dei-lhe com ela na cabeça.

E eu fui para a rua. SOZINHA!!
Não fui eu que comecei e só eu é que vinha para a rua?!!!

E puff!... Fez-se o chocapic. Dei um pontapé na janela, fez-se o vidro em cacos.

Reunião de conselho de turma, a Menina vai para a psicóloga contrariada.
E o resto conto depois.

P.S.: Apareci no teste a 5 minutos de fim, consegui acaba-lo antes do tempo e com 98%. Na altura senti-me boa. Mas era de Inglês.

domingo, 22 de agosto de 2010

Num Estalar De Dedos

Hora e Dia do Duche: 12h43; 21.08.2010
Duração: 00h12m

Levantei-me, enfiei-me na banheira e decidi-me.

Faço as malas e vou-me embora ainda hoje. Acabou a vadiagem.

O que é que me falta?

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Mergulhos

Hora e Dia do Duche: 15h36; 11.08.2010
Duração: 00h27m

Sempre fui pessoa de arranjar problemas. De complicar o que é fácil. De ter dois caminhos para alcançar o mesmo destino e, em vez de escolher a ampla e larga avenida, aventurar-me pela mata que circunda o meu lugar.

Mas sempre tive objectivos e, desde que me lembro, sempre me defini pelos meus objectivos.

Até ao dia em que fiquei sem saber o que queria. E então procurei o supra-sumo de todos os meus planos e rumei em busca da idílica felicidade.

Diverti-me.
Foi como dedicar todo o meu tempo a subir a montanha, mas em vez de percorrer o caminho com os meus próprios pés, fui num ascensor com ar condicionado, bancos de veludo, copo de champagne na mão e uma silhueta qualquer que me saciasse os desejos da carne.

Cheguei ao topo que apreciei somente nos 8 segundos que se demora a apreciar uma paisagem.
E não me senti realizada. Nem feliz. Senti-me só.

Encaminhei-me para o precipício e vislumbrei o mundo lá em baixo, a meio caminho do fim da falésia fustigada pela força do mar.

E como estive no alto, achei que era altura de mergulhar. Achei que ia apreciar a vista, embater no fundo, voltar à superfície e respirar, feliz.

Não sabia que a maior dor na queda, não é a do impacto, mas sim a de não termos chão que pisar nem amparo nenhum.

Felizmente o meu namorado é alpinista.

Na altura era só um alpinista qualquer.
Um perfeito desconhecido que, num acto que tomei como heróico, se debruçou e apanhou-me e não me deixou cair mais, simplesmente porque qualquer coisa lhe disse que eu não merecia a queda.

E o alpinista acampou na primeira clareira segura, conversou comigo, conheceu-me, deu-me a segurança que eu precisava para voltar a encontrar o meu rumo, para voltar a estabelecer objectivos. E eu sinto-me a donzela que recompensa o seu herói ao dar-lhe todo o seu amor.

Ainda não encontrei o final feliz.
Mas vou escalando, com ele do meu lado, novamente em busca do topo.

E sei, que quando chegar lá acima, vou sentir-me finalmente feliz e realizada.
O caminho fui eu que o fiz, a paisagem é infinitamente bela e não há solidão quando se tem alguém a quem dar a mão.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Coragem! Vá, Coragem.

Hora e Dia do Duche: 12h08; 10.08.2010
Duração: 00h08m

Vá, liga a torneira. Não está assim tão fria.
Pronto. Agora molha o pé.

"Auch! 'Tá fria!"

Vá, respira. Deixa-te ambientar. É o mesmo que ir à praia.

Sim... Vá lá!

Agora uma perna. Agora a outra. E agora um braço e mais o outro.

Oh! Não dá!

Fecha os olhos, sustem a respiração e mergulha.

Pronto, já está. Agora é só repetir para tirar a espuma.

E ao enrolar-me na toalha pergunto-me: Mas porque é que eu não aceitei ir tomar banho a casa da senhoria?!!!

Abaixo O Calor!

Hora e Dia do Duche: 14h26; 09.08.2010
Duração: 00h12m

O calor dá cabo de tudo.

Dá cabo de vidas na Rússia.

Dá cabo das árvores em Portugal que com tanto incêndio se está a transformar num eucaliptal - oh maldita industria! Bem sei que os eucaliptos em quatro anos estão prontos a ir abaixo, enquanto que as outras árvorezinhas demoram mais que uma década - porque não temos direito ás nossas espécies de arvoredo. Só eucaliptos para a indústria do papel.

E o calor dá cabo do meu banho de água quente/tépida.
Sim! Calor vs. Calor. Bendito o dia em que inventaram os contra-fogos.
A caldeira acha que está muito quente por isso tu toma lá banho de água fria.

E dá graças a Deus ou seja lá qual for o estafermo em que acreditas por ser em Agosto e não em Dezembro.